Santa Paula Frassinetti – Fundadora da Congregação de
Santa Dorotéia (link)
(1809-1882)
A
3 de Mario de 1809, no próprio dia do seu nascimento,
Paula Frassinetti torna-se filha de Deus, recebendo o
Baptismo na Paróquia de Santo Estevão, em Gênova sua
cidade natal.
Precedida de dois irmãos, José e Francisco, a infância
de Paula decorre tranqüilamente na casa paterna; outros
dois irmãos, João e Rafael, virão completar a alegria da
família. Ângela, sua mãe, é para ela o mais vivo exemplo
de virtude, e a pequena vai-se abrindo à graça divina
que nela opera maravilhas segundo o plano de Deus. Mas a
boa mãe não chega a ver os desígnios do Senhor sobre a
sua querida filha - morre, deixando Paula, ainda de
tenra idade, e já a ter de se ocupar dos cuidados da
casa. São dias de abatimento e de dor... Paula tem
apenas nove anos!
A nada se poupa, e o amor pelo pai, João Baptista, e
pelos irmãos leva-a a delicadas atenções que lhe exigem
não poucas renúncias e sacrifícios.
A sua primeira Comunhão e o sacerdócio do irmão José são
momentos de profunda reflexão para Paula, que já sente
no coração os apelos de Deus.
Em família, aprende a ler e a escrever e recebe as bases
da sua formação.
O irmão José, já adiantado nos estudos de Teologia,
fala-lhe das coisas de Deus, e Paula escuta e acolhe a
mensagem, guardando-a no seu coração. Toma consciência
do chamamento a seguir mais de perto o Senhor e nela
ressoam profundamente as palavras do Mestre: " Quem ama
o pai e a mãe mais do que a Mim não é digno de Mim ".
Mas... há sempre um mas! O pai não se entusiasma com a
idéia: como passar sem a sua Paulinha? E Paula vê-se
obrigada a silenciar a sua aspiração, aguardando a hora
de Deus. E ela chega!
O desgastante ritmo de vida foi progressivamente
consumindo as suas forças. Aos dezenove anos, perante o
cansaço físico tão manifesto, o irmão D. José, pároco de
uma aldeia da Ligúria, convida-a a passar ali algum
tempo. Os ares puros de Quinto são uma boa terapia para
a sua saúde delicada. A vida da Paróquia é um bom treino
para ela que, a pouco e pouco, com a sua cordial
afabilidade atrai as jovens daquela aldeia. Todos os
domingos vão para os bosques falar de Deus. Esses
encontros tornam-se freqüentes, e o diálogo alarga-se a
outras jovens. Paula revela-lhes o segredo duma vida
toda dedicada ao Senhor e descobre os seus dotes e a sua
vocação de educadora.
A sua volta, forma-se um grupo empenhado que vive em
comunhão de amor. No seu espírito torna-se clara a idéia
de um novo Instituto: abre-se com o irmão José.
Bem depressa, apesar dos obstáculos e dos sofrimentos, o
ideal será uma realidade. São seis as companheiras que
conseguem superar os primeiros momentos de tanta
dificuldade. Paula mostra-se decidida. A sua obra
inicia-se sob o signo da cruz, aquela cruz que ela amara
durante toda a vida e a fará exclamar: " Quem mais se
sacrifica mais ama "!
Assim,
a 12 de Agosto de 1834, no santuário de S. Martinho de
Albaro, sete jovens consagram a Deus a sua vida. A Missa
é celebrada pelo seu irmão Padre José, que as preparara
para aquele passo tão importante. Sentem-se felizes: é o
colocar da primeira pedra do Instituto, o iniciar da
vida em comunidade, ancoradas na única riqueza - Jesus
Cristo. Na verdade, nada têm, na pobreza da casinha de
Quinto, que escolheram como a sua primeira morada.
Abrem uma escola para as crianças mais pobres; por isso,
tem de trabalhar, mesmo de noite, para conseguirem
sustentar-se. O entusiasmo, que nunca lhes falta, é o
segredo do êxito da escola. Mas os caminhos do Senhor
não são os nossos caminhos: os sofrimentos são, para
Paula, a manifestação da Vontade de Deus. Grassa a
cólera em Gênova, e as suas filhas estão na brecha para
a todos levar auxílio e conforto.
Em 1835, um sacerdote de Bérgamo - D. Lucas Passi, amigo
do Padre José Frassinetti -, conhecendo o zelo
apostólico de Paula, propõe-lhe que o seu Instituto
assuma a Pia Obra de Santa Dorotéia, que ele fundara com
a finalidade de atingir, no próprio ambiente de trabalho
e de vida, as jovens mais pobres e necessitadas.
Paula descobre, na originalidade dessa obra, a sua
própria linha educativa e a dimensão apostólica da sua
consagração, e não hesita em incluí-la entre as
atividades do seu Instituto. As suas Irmãs já não se
chamarão " Filhas da Santa Fé ", mas sim " Irmãs de
Santa Dorotéia ".
É um momento importante na vida daquela primeira
comunidade, que vê concretizar-se a inspiração inicial:
" Estar plenamente disponíveis nas mãos de Deus para
evangelizar através da educação, com preferência pelos
jovens e pelos mais pobres ".
Outras casas se fundam em Gênova. Depois, é a vez do
centro da cristandade: a 19 de Maio de 1841, apenas sete
anos depois da fundação, Paula chega a Roma, em
companhia de duas noviças. Também aqui surgem
dificuldades. A primeira casa, sobre uma estrebaria no
beco dos Santos Apóstolos, compõe-se apenas de dois
pequenos compartimentos. Paula tudo aceita.
Uma grande recompensa a espera: é recebida pelo Papa
Gregório XVI, que mostra grande satisfação pelo trabalho
das Irmãs. A Fundadora sente-se feliz: foi o Senhor que
lhe falou.
Cresce a dureza da vida, crescem os sofrimentos: pobreza
e doenças oprimem aquelas heróicas Irmãs que não têm
sequer um tostão para os medicamentos.
Em 1844, o Papa confia a Paula a direção do "
Conservatório " de Santa Maria do Refúgio, em Santo
Onofre. Com a sua caridade e suavidade, imprime ao
ambiente um novo cunho e uma mudança decisiva para o
futuro da instituição.
Pela sua presença, a Casa de Santo Onofre torna-se a
Casa Geral.
Em
1846, mais do que um pensamento político,difunde-se em
toda a Itália um espírito anti-religioso. Em Gênova,
também as Dorotéias são perseguidas. As filhas de Paula
vivem horas de forte sofrimento.
A tempestade também se abate sobre Roma: Pio IX,
sucessor de Gregório XVI, vê-se obrigado a refugiar-se
em Gaeta. Cardeais, Bispos e Prelados afastam-se da
capital. Paula fica sozinha à frente de uma numerosa
comunidade, e com uma fé intrépida supera esses
dramáticos momentos.
Acalma-se a tempestade. Estamos em 1850. Paula obtém a
desejada audiência de Pio IX, que é para ela corno um
pai. Movida por um grande amor ao Papa e à Igreja,
dirige-se a Gaeta, renovando assim o gesto de Santa
Catarina de Sena. Inicia-se a última etapa da vida da
Fundadora, que podemos considerar o período da grande
expansão do Instituto, que não só se consolida na
Ligúria e nos Estados Pontifícios, como se estende no
resto da Itália o no mundo. De fato, surgem em Roma
vários centros educativos, e Paula inicia as negociações
para a abertura de uma casa em Nápoles, um internato em
Bolonha e um orfanato em Recanati.
Em 1866, as suas primeiras missionárias partem para o
Brasil. No mesmo ano, um outro campo prometedor:
Portugal. Paula anima as suas filhas: "O Senhor as encha
do Seu Espírito e as converta em outras tantas chamas
ardentes que, onde tocarem, acendam o fogo do Amor de
Deus".
As dificuldades nunca detém os Santos no seu caminho.
Paula é mulher de grande fé: "O Senhor quer-nos apoiadas
somente n'Ele, e se tivéssemos um pouco mais de fé,
estaríamos bem mais tranqüilas, mesmo no meio das
tribulações ".
Vive o completo abandono à Vontade de Deus, "única
pérola que devemos procurar" - escreve - e que constitui
o seu paraíso: "Vontade de Deus, és o meu Paraíso".
Em 1878, morre Pio IX, o Papa que, nos seus numerosos
encontros com a Fundadora, teve sempre palavras de
estima e de encorajamento com relação à sua obra
apostólica.
Paula sente que a sua laboriosa existência terrena está
prestes a chegar ao fim. São as primeiras horas do dia
11 de Junho de 1882: está serena. A sua morte, calma e
tranqüila, deixa entrever a riqueza da sua vida. Invoca
a Virgem Santíssima a quem sempre tanto amou: "Senhora
minha, lembrai-Vos de que sou Vossa filha".
8
de Junho de 1930: Paula é beatificada!
11 de Março de 1984: hoje, os sinos de S. Pedro repicam
festivamente para anunciar que Paula é Santa!
O hino jubiloso chega aos confins do mundo, onde as
Dorotéias trabalham para a glória de Deus e a dilatarão
do seu Reino:
Europa - Espanha, Inglaterra, Itália, Malta, Portugal,
Suíça;
América do Norte - Estados Unidos;
América Latina - Brasil, Peru, Argentina;
África - Angola, Moçambique, Camarões;
Ásia - Taiwan.