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Uma vez alguém me contou que havia uma
escola por aí, disseram que nem era muito longe da nossa, em que as
pessoas estavam enfrentando um grave problema: uma briga
acirradíssima entre os respeitáveis e respeitados Senhores Conteúdos
e as inocentes e arteiras molecas Alegria, Esperteza, Espontaneidade
e Satisfação.
Disseram-me, nessa ocasião, que quando um professor começava uma
aula nessa tal escola, as molecas ficavam tristes, do lado de fora.
Lá, nesse lugar estranho, somente os Senhores Conteúdos entravam nas
salas de aula com os professores e alunos.
Fiquei meio sem saber como poderia ser uma coisa dessas, pois no
CNSD não é bem assim.
Os Senhores Conteúdos marcam presença constante e definitiva no CNSD,
sim, mas sempre tem espaço para as molecas. A Satisfação, então,
gorducha que só, se espalha e se arremessa pelos corredores, salas e
jardins do colégio.
Naquela escola onde as pessoas não podem estudar com as molecas, não
tem Feira de Cultura... Vê se pode!?
Não tem Feira de Cultura porque essa é a grande festa de
confraternização entre as molecas, os pimpões Senhores Conteúdos,
professores, alunos, famílias e amigos! Como os pimpões e as molecas
não se dão lá naquele colégio esquisito, não tem como ter essa
festa...
Coitados dos alunos e professores de lá... Devem ser muito
tristes... Devem achar que tudo é chato, que tudo dá trabalho e não
serve para nada...
A Feira de Cultura do CNSD acabou de ajudar a virar mais uma página
de uma história compriiiida, de muita felicidade e sabedoria que já
dura mais de 118 anos.
Qualquer lugar ou espaço em que haja criança sorrindo, gente
trabalhando e conversa alegre sempre vale a pena. Aqui, no colégio
de gente feliz, é assim todo dia. Mas a Feira de Cultura transforma
uma bela manhã de sol como essa de hoje em coisa de muito mais
valor.
***
Ainda essa semana, a mãe de um menino me parou e conversamos:
"Professor, que horas ele tem que chegar aqui no sábado?"
"Às oito e meia, para a gincana..."
"Mas pode chegar oito?"
"Pode, ué..."
"É que ele tá muito ansioso... Ele estudava no colégio de pessoas
tristes e até desmarcou uma competição no Rio para vir pra cá. Lá
não tinha essa Feira! É a primeira vez que ele participa disso..."
Hoje, dia da Feira, o menino, suado de pingar, se escondia da mãe
atrás das pilastras do varandão. Já passava do meio-dia e ele não
queria ir embora.
***
Aos que colaram apenas um anel de fita crepe em um cartaz, aos que
reviraram todas as suas coisas em busca de um objeto para a Feira,
aos que ficaram por cinco minutos, aos que ficaram por horas
seguidas, dias, aos que nem foram mas torceram e rezaram para que
tudo desse certo... Obrigado e parabéns! Vocês fizeram o CNSD
sorrir, uma vez mais.
Felipe Ferreira
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