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Na primeira metade do século XIX, a Europa vive um momento de profundas
transformações religiosas, políticas e culturais. A vida das pessoas se acha
profundamente conturbada pelas diversas teorias artísticas, filosóficas,
científicas que surgem e pelas lutas destinadas à unificação do que
conhecemos como Itália hoje.
Nesse contexto adverso, uma jovem chamada Paula Ângela Maria Frassinetti,
nascida em Gênova, em 03 de março de 1809, vai morar com o irmão padre na
cidade de Quinto. Lá, em 1827, funda uma escola paroquial para crianças
pobres, às quais vai se dedicando com empenho cada vez maior. Em 1834, Paula
cria a comunidade religiosa da qual se originaria a Congregação das Irmãs de
Santa Dorotéia, hoje presente em várias partes do mundo.
As Irmãs de Santa Dorotéia, mantendo vivo o legado de Paula, trabalham em
colégios, comunidades carentes e paróquias, respondendo aos desafios de cada
momento histórico, conscientes de que: “Pela nossa vocação na Igreja somos
enviadas a evangelizar através da Educação.”
Paula Frassinetti nasceu numa família humilde e foram os próprios pais que a
ensinaram a ler e a escrever. Infância e adolescência difíceis: aos nove
anos ficou órfã de mãe e assumiu os cuidados da casa. Ao falecer, em 11 de
junho de 1882, não deixou tratados ou teorias, mas a lucidez de suas
intuições pedagógicas fizeram dela uma grande educadora.
Paula sentia, na clareza de sua inteligência e na generosidade do seu
coração, o que era e o que não era bom para a formação das crianças e dos
jovens. Nas inúmeras cartas que enviou
às suas irmãs nas casas espalhadas pelos cinco continentes, legou
ensinamentos de grande perspicácia, bondade e bom humor. A leitura dessas
cartas revela uma mulher possuidora de incomum espiritualidade, amor a Deus,
adoração a Jesus e dedicação à Igreja. E, ao mesmo tempo, dotada de
consciência do que devia ser feito no aqui e agora do mundo, e de
determinação, coragem e desprendimento para levar avante seus propósitos.
A Congregação das Irmãs de Santa Dorotéia está presente no Brasil desde
1866, quando abriu as portas e o coração na cidade de Recife. Em Nova
Friburgo, mantém o Colégio Nossa Senhora das Dores desde 1883, e a Faculdade
Santa Dorotéia, desde 1956, tendo fundado também a Obra Social Santa Inês e
a Casa Madre Roseli.
No dia 12 de agosto em que comemoramos a fundação da Congregação das
Irmãs de Santa Dorotéia, buscamos em Paula Frassinetti inspiração e forças
para “trabalhar em simplicidade”, lema presente no brasão da ordem, cujas
imagens traduzem suas raízes e aspirações.
Neste
brasão a estrela matutina faz-nos rememorar a devoção de Paula à Maria; o
frassino - arbusto típico da Itália- a fecundidade da obra doroteana; o
pássaro, a simplicidade que Paula abraçou como marca do trabalho doroteano.
Os alunos das escolas da congregação, cuja educação é transpassada por
valores cristãos e humanos, estão representados pelo lírio. A terra
remete-nos ao compromisso da Igreja com a defesa da vida plena para todos
nós.
As propostas de Paula Frassinetti se mostram atuais e significativas.
Paula acreditava que todo ser humano é educável, capaz de ser mais e melhor.
Acreditava, também, na necessidade de cada educando ser orientado com
suavidade e firmeza. Realizou ações corajosas e ousadas para seu tempo.
Entendeu e vivenciou o exemplo como atitude fundamental à educação.
A fundadora da Congregação de Santa Dorotéia considerava o presente como
espaço-tempo precioso, que precisava ser alvo de cuidado e atenção, um
espaço tempo no qual o futuro seria construído. Por essas e outras questões
que se fazem presentes em nossos dias, nos tantos e diversos fóruns de
educação, Paula Frassinetti é uma mulher cujo legado continua fertilizando
debates e recriando caminhos. Sua obra sabe responder, como atestam os dados
referentes aos trabalhos dos colégios doroteanos, aos novos e múltiplos
desafios trazidos pela história. Por isso, uma escola doroteana pode chegar,
a exemplo do CNSD, aos 114 anos, sempre nova e criativa.
Ao longo de seus 114 anos de existência, o CNSD tem sido fiel aos princípios
que o sustentam como instituição e, ao mesmo tempo, tem se recriado
incessantemente no diálogo estabelecido com o entorno.O CNSD é,
simultaneamente, sempre o mesmo e sempre outro. A nova logomarca traduz esse
movimento: guarda a simbologia trazida pelo brasão que foi utilizado por
tantas gerações e reinventa-o com traços mais próprios de nossa época.
Nada melhor para celebrar a festa da congregação doroteana do que colocar em
foco o dinamismo de sua fundadora que impulsiona, através dos tempos, a
reconstrução cotidiana de sua obra.
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